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Ago 11
Viver e Saber

A relação entre as pessoas parece tão simples, mas não é, é muito complexa e difícil. Quando nasce um bebe é só festa, ele exige pouco, fica quietinho espalhando sorrisos, ou caretas que se associam a sorrisos. Quando a criança começa a caminhar os problemas vão se tornando maiores, pois temos que cuidá-la para que não se machuque e que também não destrua os objetos no seu entorno.

Como fazer para que este ente entenda os nossos desejos. Por mais que sejamos hábeis em mostrar o que tem risco e o que não tem, o que é adequado e o que não é ele absorve pouco de nossas orientações.

Alguns pais menos tolerantes partem para o pior: batem na criança, e esta aparentemente, pode sinalizar que está aprendendo. Tem outros pais, que seguem um caminho mais saudável. Falam, mostram os riscos, colocam limites e se preciso dão castigos (não físicos).

Penso que o maior problema na relação entre pais e filhos relaciona-se com um forte desejo dos pais tentarem mandar na vida dos filhos. Mas por que muitos pais querem comandar ao invés de ajudá-los a pensar sobre os diversos caminhos da vida? Acho que os que vão pelo caminho de mandar, são os que querem se ver livre do contato, da intimidade com os filhos, pois este contato é trabalhoso.

Imaginam que se os filhos seguem as “regras” por eles estabelecidas, não vão precisar dar muita atenção aos mesmos. Uma maneira de se ver livre dos filhos é permitir que eles fiquem dependentes da internet, grudados na TV ou saindo para passar a noite nos postos de gasolina, em geral bebendo. Os pais os liberam para tudo. “O tiro acaba saindo pela culatra”.

Quando os pais passam ditando aos filhos o que eles têm que fazer, o que é certo e o que é errado, as crianças crescem mais olhando para fora delas, observando o que os outros vão achar do que se orientando pelo seu desejo de tomar decisões. Acostumam-se e passam a viver deste jeito buscando alguém para tomar conta de suas vidas.

No contato com outras pessoas ficam passivas e não colocam suas opiniões. Ficam muito preocupadas se os outros vão gostar do que fizeram ou disseram. Num relacionamento amoroso também se colocam como se fossem filhos, tomam decisões equivocadas e estimulam o parceiro a cuidá-los ficando num papel inferiorizado. Estas pessoas vão se desqualificando pela vida a fora e este mecanismo é um adubo para a depressão.

Em relação à dependência química e gravidez na adolescência, acho que elas seguem a mesmo tipo de funcionamento. Observo que o depende químico se torna um eterno dependente dos pais. Estes passam correndo atrás do filho e se sentindo “culpados” pelo destino do filho. Acho que está é a vingança do filho, pois em geral estes filhos tiveram pais muito controladores. É como se fosse assim: agora cuidem de mim pelo resto da minha vida.

Na gravidez na adolescência, em geral temos moças despreparadas e temerosas para assumirem suas vidas, saírem de casa, trabalhar, casarem, etc. Engravidam, não por falta de conhecimento, mas para poderem ficar dentro de casa com os pais e serem eternas filhas, agora com a chegada do bebê. Em geral não há lugar para um marido em suas vidas. Apenas um procriador.

O desejo de que alguém tome conta da nossa vida é muito percebido na minha relação com os pacientes que me procuram para terapias. Muitos têm uma fantasia que eu sei tudo o que é bom para eles e vou passar um manual de bem-viver. Claro, que se algum terapeuta fica orientando a vida do paciente o deixará mais doente do que chegou. O pior é que isto acontece com muita freqüência nos consultórios de psicólogos e psiquiatras.

Reconheço que os pais vão assumindo o papel de pais na base do bom senso e do jeito que imaginam que deva ser. Não nos é oferecido espaços para que possamos conversar e receber orientações de como olhar as relações entre pais, filhos, casais.

É fundamental para a saúde mental a educação. Falo especificamente na psicoeducação, que não é oferecida nem por órgãos públicos e nem pelos privados. Do ponto de vista emocional as pessoas só são olhadas quando estão adoecidas.

Dr. Nélio Tombini
Diretor da Psicobreve
www.psicobreve.com.br

neliotombini@terra.com.br

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